domingo, 9 de março de 2008

Novo endereço


Agora estamos atendendo logo ali, no A Postos. Anote: http://arrastao.apostos.com/

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Bye, bye!

Foi ótimo compartilhar minhas idéias e meus textos com você. Desde que o Arrastão foi criado, há pouco mais de três meses, a experiência mostrou-se bastante proveitosa e estimulante. Resolvi, porém, que ir embora será melhor para todos.

Calma! Ainda não terminei... :-))

Estou de partida porque fui convidada pelo A Postos, um dos portais mais bacanas da banda independente. É uma moçada divertida, apimentada, que escreve por puro gosto e não tem medo de opinar sobre os mais diversos assuntos. Excelente companhia.

A partir de hoje, você lê o Arrastão aqui.

Estarei lá na página nova, com a minha rede, esperando por você.

Até!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Resumo

Sabem o que é estranho?

Estranho é jornalista que prefere ver o Ministério Público sem investigar denúncias de corrupção e fraude. Estranho é deixarem de repercutir e avançar nas apurações da coluna mais lida da maior revista do país. Estranho é o Executivo calar sobre o fato de que gente próxima ao presidente da República está sob suspeita de tudo quando é tipo. Estranho é a oposição que se faz de cega e louca. Estranho é um Legislativo comandado por empreiteiras. Estranho é banqueiro alardear um monte de denúncias e depois se fazer de paisagem. Estranho é considerar calúnia a fofoca sobre contas no exterior que não se pode provar falsas. Estranho é fechar negócio fora da lei com a benção do Estado. Estranho é fundo de pensão de estatal se meter em tanta roubada. Estranho é a quantidade de falências fraudulentas que deixam um monte de gente desempregada e os credores na mão. Estranho é juiz que comanda rede de corrupção junto com sócio advogado. Estranho é lobista alugar suíte presidencial de hotel de luxo para contar dinheiro. Estranho é fatiar o mercado de telecomunicações entre meia dúzia. Estranho é grampo telefônico ter virado commodity. Estranho é a Abin ser acusada de colaborar com a arapongagem particular e não se explicar. Estranho é a PF ter tantas facções quanto o pessoal do crime. Estranho é sindicalista que não pode falar em voz alta. Estranho é igreja usar gente simples para coagir pessoas. Estranho é aceitar os maleiros, os mensaleiros, os picaretas, os coronéis e os intelectuais que não pensam. Estranho é político cassado comprar avião. Estranho é dissimular, enganar e manipular os que se apóiam em uma ideologia partidário-ideológica, supostamente baseada em companheirismo e igualdade, fazendo com que virem zumbis predispostos a acreditar em qualquer coisa. Estranho é o Celso Daniel, é o Toninho de Campinas, é o PC Farias. Estranho é o pacto de silêncio.

Ou, talvez, não. A história dos italianos deve ser maior do que eu imaginava. Só isso justifica preocupação tamanha entre a infantaria daqueles que estão empoleirados no poder.

Bauhütte

Avisaram-me que falta a página 55 do documento que postei ontem.

A princípio, confesso, a queixa soou como implicância para desviar a atenção do restante. Engano meu.

A dita página, descobri, é o vórtice, o ponto de Bauhütte de qualquer texto. Olhem só:

- se a minha Bíblia viesse sem a 55, eu teria perdido o Gênesis 7, 8 e 9. Ou seja, metade do dilúvio, a baixa das águas e o sacrifício de Noé;

- teria ignorado que Kafka tinha medo de não conseguir explicar ao pai as tentativas de casamento;

- passaria em brancas nuvens que Julius Clarence, durante as duas últimas semanas, visitara fazendas e medira a altura de pés de soja;

- não descobriria que Bigode se tornou o conselheiro secreto de Tistu.

Você entendeu o espírito da coisa. Fiquei profundamente convencida da necessidade de divulgar a página 55 do depoimento de Angelo Jannone, o araponga italiano.

Só há um probleminha _ eu não a tenho. Se tivesse, ela estaria entre a 54 e a 56, ué.

PAUSA PARA OS FANIQUITOS - “Ela não tem! Ela não tem!” - FIM DA PAUSA.

É, não tenho. Mas disponibilizei todas as outras.

E em nenhum momento eu disse que o documento estava na internet fazia tempo, e sim que seu teor já tinha sido noticiado.

----- Aliás, vamos deixar duas coisas bem claras aqui: quem me acusa de manipulação e de esconder os documentos são exatamente os que NÃO querem que os papéis sejam divulgados.

Esse tipo de distorção de sentido pode dar certo por algum tempo e junto a alguns, mas não cola na Justiça. É por isso que há tanta gritaria: para convencer a todos da falta de importância do processo italiano e caracterizar, assim, que só os “maus” juízes querem ler o material, assim como os "maus" jornalistas querem apurar esse assunto. -----

Na falta da 55, que eu não sei o que tem, nem nunca soube, pois nunca a vi, os interessados podem atacar Daniel Dantas, o diabólico made in Brazil, com as acusções contidas na página 60, onde Jannone diz que a Brasil Telecom, então administrada por fundos geridos pelo banqueiro, trambicava com a Alcatel.

Se o interesse é ter acesso ao conteúdo total da mensagem, os gritalhufos podem FAZER alguma coisa, como, por exemplo, encaminhar um abaixo-assinado ao Ministério Público para que solicite formalmente os documentos à Justiça milanesa. Na íntegra, claro, que é para garantir que a 55 não fuja.

Os mais ousados podem pedir os papéis diretamente a fabio.napoleone@giustizia.it, o procurador linha-dura que cuida do assunto na Itália. Acho que ele não vai mandar assim, sem mais nem menos, mas a tentativa é de graça.

Na hipótese de a Procuradoria-Geral da República agir de maneira firme e levar a história adiante, creio que virão para o Brasil pelo menos umas cinco ou seis pilhas de documentos, hoje trancadas em uma estante de vidro na sala de Napoleone.

Quem for coordenar o abaixo-assinado, por favor, não esqueça de pedir ao procurador o CD com o nome dos políticos que recebiam propina da Telecom Italia. (Aliás, é aí que está o ponto nevrálgico de todos esses ataques, não é?)

Era recomendável, porém, que o pedido fosse efetuado rapidão, antes que alguém suma com a 55 do inquérito original e o CD vire fumaça.

Agora, se o interesse for atacar de forma irracional os mensageiros _ veículos e jornalistas _ aí não há o que fazer. Podem sapatear como espanholas, mas sozinhos.

Enquanto isso, vou esmiuçar todos os meus livros para descobrir as pérolas escondidas nesses dois números gordinhos e cabalísticos: 55.

O primeiro que peguei é “O Velho Senado”, onde mora uma crônica escrita por Machado de Assis em 1° de novembro de 1861.

Olhem que trecho interessante:

“O que há de vir, há de vir, dizem muitos ministros, que, além de acharem o sistema cômodo, por amor da indolência própria, querem também por a culpa dos maus acontecimentos nas costas da entidade invisível e misteriosa, a que atribuem tudo.”

Mas, pensando bem, uma brasa mesmo é a página 78:

“Relevem o estilo e as idéias; a minha dor de cabeça não dá para mais.”

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Branca, branca, branca

O que a gente faria sem os amigos?

Pronto, taí, seus galhofeiros... :-))

Resposta - 2

Mais um capítulo da novela das teles. Obra, é claro, de Luís Nassif.

Minhas considerações:

1) Sobre a última coluna do Diogo Mainardi, onde o nome do presidente da República aparece citado no Tribunal de Milão em depoimentos relativos a uma investigação que envolve tráfico de influência, corrupção e espionagem: o documento disponibilizado na internet não foi entregue nem digitalizado por mim, embora eu tivesse conhecimento dos papéis. Todos os leitores do meu blog tinham, aliás. Escrevi sobre o assunto.

2) É fácil descobrir se o documento foi manipulado e o motivo da dupla numeração das páginas. Basta pedir a íntegra à Justiça italiana. Talvez o Ministério Público brasileiro já tenha feito isso, uma vez que está de posse dos papéis.

3) Na minha avaliação, a história da Telecom Italia é importante, assim como foi a da Kroll, e merece ser publicada. A briga entre os jornalistas também.

4) Esses papéis não foram tornados públicos sem terem sido checados. Giuliano Tavaroli, o homem que comandava a espionagem da Telecom Italia no mundo e responsável pela equipe que desmantelou a rede adversária, da Kroll, confirmou o teor do documento. Tavaroli _ perguntem a ele _ não é fã do capetão Daniel Dantas. Seus "g00db0ys" editaram o CD com informações que serviram à Polícia Federal no caso Kroll, que quase mandou o banqueiro em cana.

5) Não me lembro de Mainardi ter dito que o documento recebido dos italianos seja o que está citado acima, a ordem de prisão de um dos diretores da Telecom Italia, Angelo Jannone. Para mim, fica claro que ele se referia no podcast sobre o pedido de pagamento do advogado Marcelo Elias à Telecom Italia, com os dados sobre sua conta bancária. Ouça até o fim e decida você mesmo.

5) Não sei o motivo pelo qual a página 97 saiu estranha. Alguns levantam a hipótese de que tenha sido obra de Daniel Dantas, o Lúcifer tupiniquim. Se foi, o belzebu anda ruim de serviço: na página 32, Dantas é acusado de praticar corrupção judiciária.

6) Admiti ter como fonte Rodrigo ANDRADE. E admiti que Luís Roberto Demarco também o era. Pode parecer estranho para alguns, mas admito que, como jornalista, tenho fontes.

7) Tem mais um monte de documentos na rede. São as 135 páginas do documento que faltavam. Correspondem ao interrogatório de Angelo Jannone, o chefe da segurança da Telecom Italia para a América Latina. É notícia velha, amigos, velha. Mainardi fala disso desde 2006, como vocês podem ver. Mas espero que se divirtam:

Documento 52-57:
http://www.divshare.com/download/3842796-1a7
Documento 58_62:
http://www.divshare.com/download/3842833-280
Documento 63_67:
http://www.divshare.com/download/3842848-042
Documento 68_72:
http://www.divshare.com/download/3842879-4ed
Documento 73_76:
http://www.divshare.com/download/3842911-245

7) Vocês podem estranhar que o caso Telecom Italia seja importante para tão poucos jornalistas. Eu também estranho. Se descobrirem o motivo, me contem.

No mais, obrigada pelas visitas. Hospitalidade é o lema da casa.

A internet é mesmo o máximo, hehe.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"Não me recordo"

Notícia que está na página eletrônica da revista Época:

"O ex-deputado Roberto Jefferson ajuizou nesta terça-feira (19) sua defesa prévia no processo do mensalão e indicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sua testemunha número um. Jefferson apresentou um rol de testemunhas com 33 nomes. A lista, encabeçada por Lula, inclui o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de nomes de candidatos à sucessão presidencial de 2010: o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes."

Testemunha, que eu saiba, não pode mentir. Nem tem a prerrogativa de se abster.

Depois da febre amarela, o Brasil verá um novo surto: o da amnésia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

El comandante

Estava um calor sertanejo na tarde de 1° de janeiro de 2003, quando o presidente Lula tomou posse. Meus pés, duas batatas, depois de onze horas perseguindo declarações de políticos, empresários e celebridades. Tinha conversado com várias pessoas, mas ainda faltava aquela que, para mim, era a mais importante: Fidel Castro.

Rumei para o hotel carregando os amigos que tinham viajado de São Paulo e do Rio especialmente para a ocasião. Também na avaliação deles Fidel seria o ponto alto da festa. O mesmo aparentavam pensar Letícia Sabatella e Ângelo Antônio, ambos sentadinhos no saguão do Naoum, junto a um batalhão de repórteres.

Eis que, após um bom tempo de espera, surge Fidel. Uma figura enorme, altiva, carisma embalado em uniforme verde-oliva. Estava cercado de seguranças que mais pareciam montanhas humanas. Acena para nós e segue para o carro.

- "¡El comandante, la prensa por favor!"

Fidel pára, gira e avança em nossa direção, longas respostas engatadas sem tomar fôlego, o ritmo da fala semelhante ao das metralhadoras empunhadas pelos revolucionários.

Ao fim, minha cara-de-pau costumeira: peço uma exclusiva. Ele diz que não pode, eu insisto, ele diz que não dá, sai andando. De repente, pára. Volta e, com a mão no meu ombro, Fidel abre um sorriso:

- “És una gran reportera.”

E vai-se embora.

Eu, em choque, senti os olhos ficarem cheios d'água. Um dos mitos do século XX havia me elogiado. Sabatella, do meu lado, se emocionou comigo. Uma cena para Dom Cappio nenhum botar defeito.

Menos de três meses depois, chego na redação e abro os jornais. "Cuba é a maior prisão de jornalistas do mundo", acusa o Le Monde, reproduzindo manifesto de um grupo de intelectuais radicados na França. Vários dissidentes haviam sido presos e executados após julgamento sumário.

Chorei de novo, desta vez sozinha. Aqueles minutos com Fidel tinham sido (e continuem sendo) um dos momentos inesquecíveis da minha vida profissional. Mas senti vergonha por ter compactuado, mesmo que por instantes, com uma ditadura.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Tempo ao tempo

Mais que uma disputa de idéias e vaidades em torno de temas comerciais e de denúncias, os debates recentes entre jornalistas refletem profundas mudanças na comunicação do país.

Colunas virtuais e blogs ganham importância a cada dia. Na minha avaliação, isso é ótimo. Os brasileiros podem eleger representantes de suas correntes de pensamento, tornando-os amplificadores eletrônicos de suas próprias opiniões. Os efeitos multiplicadores e de identificação são tremendos.

Por isso, a importância das teles e do que acontece com elas. Essas companhias são as grandes vedetes de uma revolução ainda maior, que vai transformar conteúdo e forma de comunicação. Essa revolução tem sinônimo: poder.

A hipótese de um governo _ ainda mais um governo com índices acachapantes de popularidade _ usar a máquina para favorecer A ou B, atropelando a concorrência leal, está além da prevaricação. Figura como escolha deliberada por um futuro empobrecido.

Creio que estou me repetindo. Desnecessário. Como disse alguém de quem gosto muito: “há vezes em que o tempo esclarece mais do que os esforços”.

Eu vou acatar o conselho.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Resposta

Eis que Luís Nassif cita meu nome na briga das teles. Compreendo. Dissecado página a página, o documento publicado por Diogo Mainardi, da Veja, é mesmo um petardo. Era previsível uma reação.

Seguem algumas considerações:

1) Cobri o caso das teles para a Folha de S.Paulo entre 2005 e 2007. Meu cargo era o de repórter e, como tal, meus textos eram submetidos a várias pessoas antes de irem para a página. Como Nassif bem sabe, apenas colunistas têm a prerrogativa de escrever o que dá na telha e só receberem críticas depois da publicação.

2) Logo, se eu, como insinua o colunista, participasse de uma "orquestração" a favor de Daniel Dantas, teria de fazê-lo mancomunada com o jornal _ o mesmo em que Nassif trabalhava. É uma tese ridícula.

3) Nassif sustenta que as matérias escritas por mim serviram para Dantas mover sua guerra jurídica. Seguindo a mesma lógica, cabe a pergunta: as colunas que Nassif escreve têm servido para embasar os advogados de Luís Roberto Demarco, dos fundos de pensão e da Telecom Itália?

4) Nassif diz que meu nome foi citado na Justiça por Rodrigo Andrade, ex-funcionário do Opportunity. Sim, Andrade foi minha fonte, como tantos outros. Luís Roberto Demarco também costumava ser. Mas eu nunca copiei parte de releases dele.

5) Nassif tem medo de os processos serem "contaminados" com os tais documentos da Itália. Teme ainda que a Justiça faça bagunça na hora de separar o joio do trigo. Eu não tenho receio, pois não sou parte interessada nos autos e acredito que juízes têm discernimento suficiente para desvendar a história.

6) Óbvio que não gosto de ver meu nome no meio dessa balbúrdia, mas não vou mudar minha opinião: é bom para o leitor saber o que acontece nos bastidores.

7) Pedi demissão da Folha, que me convidou para ficar por lá. Espero que o jornal não leve anos para confirmar.

Por fim, fico triste que Nassif faça tão mau juízo de mim. Eu costumo ler as colunas dele, inclusive as antigas. Lembro de uma onde previa que o iG teria um triste destino:

"... Além disso, a fonte de recursos do iG secou, e, para seus acionistas, cada dia de vida nunca é mais, é sempre menos. Nesse quadro, a prioridade máxima acaba sendo a de se livrar dos prejuízos futuros, não a de se ressarcir dos investimentos passados....

... O iG, infelizmente, já é uma página virada."

Pois é. O iG não morreu, tanto que Nassif hoje trabalha lá. A fonte também não secou, aparentemente, pois consta que o empresário ganha um bom dinheiro. Merece. Seu gosto musical é impecável.

Eu, quando estava na Folha, nunca pude bancar minhas previsões. Não era colunista. O mais perto que cheguei de vaticínos foram entrevistas com pessoas afirmando que o governo queria entregar a BrT para a Telemar. Ah, e as reportagens nas quais informava sobre o caso da Itália, dizendo que ele iria cair como uma bomba no Brasil. Veja você.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Alô, Planalto! - 2

Restam algumas perguntas:

1) o atual governo, com a condescendência do presidente da República, usou a máquina estatal para favorecer a Telecom Italia na disputa pela Brasil Telecom?

2) a Abin colaborava de alguma maneira nos grampos ilegais e na hackeragem encomendada pela Telecom Italia?

3) depois de eliminados os italianos do jogo, é a vez de os acionistas da Oi (ex-Telemar) ganharem um cafuné do Planalto?

4) o Estado de Direito é absolutamente ilusório e estamos vivendo sob um regime monárquico, onde o rei pode tudo?

5) os jornais vão continuar fazendo de conta que a lesão do Ronaldinho é a notícia mais importante vinda de Milão?

Alô, Planalto!

Diogo Mainardi, mais uma vez, fez sozinho o trabalho que o batalhão midiático finge não existir. Como diz uma amiga, o colunista "mandou pirão" na história da Telecom Italia.

Leia alguns trechos da Veja que está nas bancas:

"Eu sei que o caso da Telecom Italia é uma pauleira. Eu sei que há uma série de interesses empresariais em jogo. Mas alguns fatos precisam ser esclarecidos. O primeiro e mais urgente é o seguinte: o nome do presidente da República foi citado nos autos de um tribunal italiano. Ninguém pode fazer de conta que isso é uma bobagem.

Acompanhei o inquérito contra a Telecom Italia por dois anos. Esperando Lula. E, como Godot, ele nunca aparecia. Na semana passada, recebi uma cópia de um despacho emitido no finzinho de 2007 pelo Ministério Público italiano. Na página 33, pode-se ler um trecho do interrogatório de 5 de maio de 2007 de Giuliano Tavaroli, um dos diretores da empresa. Ele declarou:

'Sendo um homem do presidente Lula, (Mauro) Marcelo, depois de assumir o cargo no serviço secreto, nos garantiu seu apoio institucional, uma vez que (Daniel) Dantas era um inimigo do presidente Lula'."

Não há mais desculpas para que deixem de investigar a história. Mainardi colocou o documento na internet. Clique para ler (em italiano).

Os papéis são um mimo. A história de Lula, a mais importante, aparece entre várias outras que escrevi no blog. Se quiser rever, dê um pulo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Constatação


O Brasil chegou a um novo estágio de absurdo com essa história dos cartões.
Francamente, essa história de "eu-mostro-o-meu-se-você-mostrar-o-seu" parece piada do Costinha.

Diálogo

- Mamãe, você não vai responder?
- Não.
- Está errada. Devia responder.
- Não.
- Então me explica o motivo.
- Ninguém citou meu nome.
- Tentaram deixar a senhora mal do mesmo jeito.
- Ué, trabalho de jornalista é isso aí. O resultado fica lá para quem quiser ver. Eu já critiquei muita gente, é a vez de falarem de mim. O jornal achou que estava bom o bastante para publicar e isso fala por si. Não é a primeira nem última vez que isso acontecerá.
- Tudo bem.

Cinco minutos depois:

- Eu respondia.
- Respondia o que, sabichona?
- Que acusam a senhora de levantar para uns só porque não se abaixa para outros.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

La môme

Vejo que o filme sobre a vida de Edith Piaf saiu-se bem na festa do Bafta. Muito bom. Cá entre nós, estou torcendo para que Marion Cotillard leve o Oscar de melhor atriz.

Tiro no pé

"Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe."

Outra frase muito boa do Nelson Rodrigues.

Podem me chamar de pessimista, mas creio que resume justinha, sem nenhum centímetro de folga, a matéria que acabo de ler na página on-line da Veja:

"...Está em estudo nos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente uma medida que, se aprovada, vai permitir que empresas e agricultores fiquem com metade das fazendas desmatadas, caso aceitem recuperar e repor a floresta da outra metade. Voltarão ainda a ter status legal, e, portanto, direito ao crédito agrícola oficial. Uma vez adotada a proposta, o governo vai legalizar em torno de 220.000 quilômetros quadrados de Amazônia desmatada. Trata-se de uma área correspondente à soma dos estados do Paraná e Sergipe."

Desafio

"Todas as palavras são rigorosamente lindas. Nós é que as corrompemos."

A frase acima está na página 161 do livro "O Óbvio Ululante - As primeiras confissões", de Nelson Rodrigues.

É preciso dar um pulo na OCA para entender melhor. ;-)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Olé!

Vira e mexe alguém pergunta o motivo de tamanha atenção às teles. A resposta é simples: inexiste monotonia no setor. Para um repórter, mesmo aposentado, é divertidíssimo.

Agora mesmo, por exemplo, a Telefônica acaba de livrar o Planalto do peso da interferência na compra da BrT pela Oi.

Segundo O Globo, a Abrafix, associação que representa as concessionárias de telefonia fixa, entregou um documento à Anatel solicitando a revisão do PGO, o Plano Geral de Outorgas.

O pedido, na prática, funciona como um sinal verde para a Anatel iniciar o processo que culminará com mudanças nas regras das telecomunicações.

Vale um aparte. A Abrafix é composta pela Telefônica, pela Oi e pela BrT, além das pequenas, CTBC (Triângulo Mineiro) e Sercomtel (interior do Paraná).

De maneira que, daqui a alguns meses, quando o PGO tiver sido alterado e/ou o presidente tiver assinado um decreto beneficiando seus financiadores de campanha, nem vai parecer que o governo se movimentou na rabeira do capital privado.

É uma espécie de “Extreme Makeover” comercial, e muito bem feito.

O único problema pode ser a dificuldade de convencer o povão de que o Brasil precisa de uma tele nacional. Afinal, se até para tirar a "telezona" do papel tiveram de recorrer aos gringos...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"O mundo é dos experts"

Nós, brasileiros, adoramos ouvir que somos criativos. Mentira. Somos enfadonhos e quadradinhos, tão previsíveis quanto fila em agência bancária, quanto atraso de noiva, quanto rebolado em baile funk. Ainda mais quando se trata de conseguir dinheiro para recuperar empresas em apuros. Quer ver?

Em 20 de dezembro, escrevi um post falando sobre a Gradiente. Mal das pernas, a empresa dependia de um investidor que a capitalizasse em R$ 70 milhões. O responsável pelo plano é o presidente da Gradiente, Nelson Bastos _ com passagens pela Parmalat, pela Brasil Ferrovias e pela Varig.

"[Bastos] tem ótimo trânsito entre os tucanos", lembrei. "O dono da Gradiente, Eugênio Staub, por sua vez, era muito bem visto no PT. Devem encontrar um investidor mais rápido do que se imagina."

Quase um mês depois, em 18 de janeiro, escrevi que Lula tinha recebido Staub. Segundo o empresário, ele não tinha ido pedir ajuda ao presidente. "Sei não. Acho que começou o movimento dos 'também quero'", disse eu.

Hoje, na Folha, sai a nota de Mônica Bergamo: "Fundos de pensão, alguns ligados a estatais, negociam para injetar R$ 100 milhões na Gradiente, do empresário Eugenio Staub. As conversas estão sendo conduzidas por Nelson Bastos, presidente executivo da empresa. Uma das condições para a operação é que Staub se afaste da condução dos negócios. A Gradiente não comenta."

Ou seja, mais uma vez os fundos de pensão _ aqueles que nunca sofrem interferência governamental _ injetarão dinheiro em negócio falido.

O estranho é que, entre o Natal e o Carnaval, o socorro teria aumentado de R$ 70 milhões para R$ 100 milhões.

Mas, pensando bem, isso também não é nenhuma surpresa. É?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Briga na imprensa - 2

Está pegando fogo a briga entre os grandes da mídia. Reitero o que havia dito aqui em 29 de novembro: é bom para o leitor que isso aconteça.

Crédito

Dê um chegadinha no Coturno. Foi lá que a gritaria contra os cartões realmente começou.

O Brasil de Bismarck


Tenho convivido um bocado com estrangeiros, por força do trabalho e de amizades recentes. É sempre um desafio tentar explicar a lógica “sui generis” que impera na terrinha.

Há pouco, por exemplo, uma amiga européia, que não conhece o Brasil, perguntou sobre o Carnaval. Tentei fazer um resumo da festa, mas acabei derrapando ao contar o caso da Ângela Bismarck. (Para quem não sabe, Ângela é aquela moça que fez mais de 40 operações plásticas para ficar parecida com a Barbie. Na última segunda-feira, transformada em japonesa, ela informou que pretende fazer mais uma: restauração da virgindade.)

- Por que ela quer voltar a ser virgem?
- Não tenho a menor idéia. Talvez por conta do casamento próximo.
- Ah, o noivo não sabe direito quem ela é?
- Sabe, claro. Provavelmente o único. É o cirurgião plástico dela.
- É ele que vai fazer a próxima operação?
- Sim, sim.
- Mas para que tanto trabalho? O cara não é o noivo?
- Boa pergunta. Não tenho resposta.
- E onde será o casamento?
- No sambódromo.
- E como é que você sabe de tudo isso?
- Vi no programa do Nelson Rubens.
- Quem?

Explicar a importância do Nelson Rubens na formação da psique brasileira é demais até para mim. Desviei a conversa para a Europa. Minha amiga conta que uma emissora de TV está produzindo um programa sobre a Tecnosistemi. (Para quem não sabe, é aquela empresa que faliu de maneira espetacular aqui no Brasil e que, em companhia de outras empresas italianas, é suspeita de pagar propinas a políticos e funcionários públicos brasileiros.)

- Pena que o Ministério Público está fazendo jogo duro. A produção está sofrendo.
- Pelo menos os procuradores daí se interessam pelo próprio trabalho, pedem documentos e testemunhos. É alguma coisa.
- E a mídia brasileira?
- Só um colunista está empenhado em apurar de verdade o caso dos italianos.
- E os demais?
- Fazem ouvidos moucos. Estão em plena guerra.
- Ah, é? Qual o motivo?
- Credibilidade. Todos querem mostrar que são imparciais.
- E são?
- Não.
- Por que não?

Suspirei. Mais fácil explicar o jornalismo do Nelson Rubens. Sorte que o “El País” me salvou. Minha amiga tinha lido um artigo que saiu ontem no diário espanhol. “El fantasma de la corrupción vuelve a planear sobre el Gobierno de Brasil”, dizia o texto, explicando o escândalo dos cartões de crédito cedidos pelo governo aos ministros e assessores do Planalto.

- Vocês dão um cartão de crédito para as pessoas no governo usarem indiscriminadamente?
- Não deveria ser assim. O objetivo do cartão foi deturpado.
- Verdade que os gastos aumentaram 800% nos últimos anos?
- Infelizmente.
- A filha do presidente foi mesmo beneficiada?
- Os seguranças dela gastaram 55 mil reais em coisas sem sentido. Dá uns 20 mil euros. Mas isso não é nada; o outro filho recebeu investimentos de pelo menos 5 milhões de reais.
- NO CARTÃO DE CRÉDITO?
- Não, na telefonia.
- Hein?
- Difícil explicar.
- E não vão fazer nada?
- O governo quer uma investigação no Congresso no caso dos cartões.
- O governo?
- É. Ele faz a convocação e depois controla a comissão de parlamentares. O estrago é menor. Também vão proibir a divulgação dos gastos.
- Que absurdo! E o outro filho?
- Aí não vão fazer nada. Talvez um decreto para beneficiar a empresa que o ajudou.
- HEIN?

Pronto. Cravei a certeza: fugir do Nelson foi uma péssima estratégia. Dou uma de louca varrida.

- Sabe a Ângela Bismarck? Ela ficou famosa depois ter desfilado usando só um esparadrapo cirúrgico, pintado de bandeira do Brasil, como tapa-sexo.

É a vez da minha amiga suspirar. Com voz de profunda simpatia, daquelas que a gente só dedica às viúvas que amavam, ela me libera do interrogatório:

- Não precisa falar mais nada. Acho que entendi como alguns enxergam seu país.

E eu nem passei pelo Nelson Rubens, veja você.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

L'amour

Em uma de suas últimas edições, a revista New Yorker desceu o cacete em Sarkozy. O motivo foi o excesso de testosterona e o mundanismo do político _ reprovados em pesquisas de opinião, inclusive.

Ontem o presidente Bling-Bling oficializou seu relacionamento com Carla Bruni, a moça bonita que está aí em cima.

Eu, brasileira e fã da cantora, quero mais é que dê certo. Mesmo que a patuléia francesa e o autor da letra duvidem. :)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Panorâmica

Os três maiores jornais do país _ Folha, Estadão e O Globo _ condenaram em seus editoriais a criação da "telezona". Foram educados. Podiam ter escrito em tom menos pastel e sabem disso. Mas tiveram a coragem de falar. É alguma coisa.

Reinaldo Azevedo, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Demétrio Magnoli, Ethevaldo Siqueira e vários outros colunistas, das mais diferentes correntes de pensamento e pelos mais variados motivos, também marcaram posição. Um alívio ver que ainda há gente que acredita nas instituições democráticas.

Sem o engajamento da TV Globo e da revista Veja, contudo, é inútil. A mídia escrita e a on-line não têm poder de fogo suficiente para influenciar a opinião pública a ponto atrapalhar a bandalheira.

Longe das redações, minha análise continua a mesma de há algumas semanas: a operação sai. O Estado de Direito será atropelado pela "Lei Telezoca".

Claro que os fundos estão tentando sabotar a operação, o que é uma pena. Seus representantes deveriam lutar de forma direta, altiva, e provar que não estão lá só porque foram apadrinhados. Não o farão. Importam-se, isso sim, com cargos.

O Opportunity, por sua vez, tinha munição para colocar obstáculos maiores, travar a negociação e provar que estava certo ao dizer que o governo estava do lado dos financiadores de campanha. Não o fará. Importa-se, isso sim, com o dinheiro.

O único jeito de acenderem o amarelo nas negociações é se alguém atingir a imagem do presidente da República, que hoje está com os índices de aprovação bons o suficiente para agir de maneira serelepe. Lula tem motivos para ficar de olho nos amigos. O fogo que vem de perto deixa queimaduras muito piores e há 40 chamas crepitando bem pertinho do Planalto. Ou melhor, 39. A de Silvio Pereira foi apagada.

Claro que o presidente é infinitamente mais esperto que eu e sabe disso tudo do avesso para o direito. Deve ter pensado em como aplacar o desconforto dos sindicalistas de ar condicionado. Como, por exemplo, alimentá-los com mais cargos e mais poder, silenciando circunstâncias que, às claras, impediriam tais concessões.

O mais irônico é que a isso darão o nome de "governança corporativa". Quando leio acerca do tema nos jornais, sinto um misto de tristeza, indignação e ironia. Qual é essa transparência, a dos fundos de pensão? Aquela onde o conselho deliberativo é eleito na mesma chapa do conselho fiscal e onde todas as denúncias são engavetadas? Aquela em que só chega à diretoria quem é preposto de político? Aquela onde ninguém pode defender os interesses dos associados diretamente? Aquela onde todo mundo faz acordo de silêncio com os concorrentes, os mesmos que são chamados de corruptos para quem quiser ouvir, para ganhar eleição interna?

Ah, Brasil, como é difícil escapar à herança que nos deixaram. Antes nobres sem nobreza, hoje capitalistas sem capital, sindicalistas sem representados, leis sem efeito, Estado sem povo.

E tenho dito.

PS: Ontem, o Teletime elaborou uma série de perguntas mais que pertinentes sobre a tal fusão entre a Oi (ex-Telemar) e a Brasil Telecom. Vale a leitura.

Marketing

Nada foi assinado, mas o pessoal da BrOi já marcou um golaço: conseguiu inculcar a idéia de "supertele" na cabeça dos jornalistas. Ganharam publicidade gratuita.

Discuti o assunto com a pessoa mais divertida que conheço. Ela rebatizaria a coisa de "telelula". Acha que assim, direto e reto, a alcunha se espalharia mais que catapora.

Eu, que nasci com a sina torta de distribuir uma pitada de cábula na vida alheia, penso que "telezona" seria melhor. Atende a critérios de tamanho, condições legais e repercussão na mídia.

Benvenuto

Diogo Mainardi voltou. Que bom. Falei antes e repito: ele tem feito um trabalho de primeira no caso dos italianos.

Reproduzo abaixo alguns trechos da coluna de Mainardi que saíram na atual edição da Veja. Espero que os jornais não se façam de cegos mais uma vez.

"No Natal de 2005, recebi documentos sobre um pagamento de 3,25 milhões de reais da Telecom Italia a Naji Nahas. Tudo ali era suspeito. Um: o pagamento fora efetuado em dinheiro vivo. Dois: o carro-forte entregara o dinheiro na sede da Telecom Italia, em vez de entregá-lo diretamente a Naji Nahas. Três: Naji Nahas faturara 263.000 reais a mais do que o previsto em seu contrato de consultoria.

... No Natal de 2007, ocorreu uma reviravolta. Recebi de presente mais um documento. Ele consta do inquérito da magistratura milanesa contra a Telecom Italia e confirma integralmente o que VEJA publicou dois anos atrás. Trata-se de um depoimento de Marco Girardi, diretor financeiro da Telecom Italia no Brasil, realizado no dia 11 de novembro passado. Ele confessou o seguinte:

• Giorgio Della Seta, aquele das denúncias "absurdas, fantasiosas e sórdidas", amigo de Lula e de Marta Suplicy, mandou-o preparar um pacote com 1,3 milhão de dólares em dinheiro vivo.

• Um carro-forte fez a entrega de 3,25 milhões de reais na sede da Telecom Italia. Ali mesmo, um cambista trocou os reais por dólares.

• Os dólares foram entregues a Ludgero Pattaro, assessor direto de Giorgio Della Seta. Ele acondicionou o dinheiro em pacotes de diferentes valores, enfiou-o numa maleta e dirigiu-se ao hotel Renaissance, repassando-o a algumas pessoas que Marco Girardi nunca vira.

... Até 2006, a Telecom Italia foi a grande aliada do lulismo na batalha pelo espólio da Brasil Telecom. Um espólio que está para ser cedido à Telemar, por meio de um decreto presidencial. Ludgero Pattaro, o homem da maleta cheia de dólares, é candidato a uma das vagas no conselho consultivo da Anatel, que analisará o negócio. Absurdo? Fantasioso? Sórdido? Sim, tudo isso."

Assinante lê a íntegra aqui.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Prediletas

Deu vontade de ouvir música bonita.

Estamos indo bem

O índice de eficiência dos meus assessores esotéricos está pra lá de satisfatório. A julgar pela leitura da Folha de hoje, em menos de 20 dias eles acertaram parte importante das previsões que fizeram.

Diz o colunista Guilherme Barros: "O negócio sofreu fortes resistências dos fundos de pensão de estatais que participam do controle das duas teles (Previ, Funcef e Petros). Queriam continuar a ter influência na nova empresa. Após longas negociações, os fundos conseguiram ampliar seu poder na nova tele e avalizaram o negócio, embora ainda existam pontos pendentes... Entre os fundos, a Previ deve ter mais assentos no novo conselho de administração."

Diziam os videntes: "1) A Previ vai brigar até o fim pela pulverização (o que é o certo) e contará com a ajuda das semanais, já que os jornais estão tímidos. 2) A venda sai em forma de compra e venda, não importa o quanto esperneiem. 3) Mas, antes de capitular, a Previ forçará um acordo que, apesar de não ser nem de longe tão bom para ela quanto a venda das ações em mercado, garantirá a manutenção das boquinhas na nova megatele."

Cúmplices

No dia 10 de janeiro eu escrevi:

"Não venham com essa história para boi dormir de que a mudança nas regras é única e exclusivamente para atender aos interesses da Oi e da Brasil Telecom. Se fosse, as outras teles já estariam fazendo um escarcéu."

Ontem, 29, segundo a Folha, o Hélio Costa confirmou:

"É importante não só para o governo, mas para o país ter uma tele nacional. Principalmente porque a mexida que vai se fazer no PGO [Plano Geral de Outorgas] vai dar também maior flexibilidade para algumas empresas já existentes no país... Automaticamente permite a solução do problema da Net, da Telefônica, da Embratel e do problema da TIM também, quem sabe?"

Mas cuidado com a leitura apressada. O fato de estarem todas juntas só mostra como ninguém acredita nos marcos regulatórios brasileiros. Na telefonia patropi, como está se vendo agora, as decisões são tomadas atrás da cortina e a única lei respeitada de verdade é a do compadrio. Os russos combinam tudinho.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Malandragens

Fechar uma transação ilegal com o apoio do governo não é o único exemplo de como funcionam as coisas no Brasil. Há alguns dias, por exemplo, me contaram a última dos madeireiros na região amazônica: estão contratando índios para derrubar as árvores, pois a lei não permite que a eles sejam imputados crimes.

Também ouvi que, no Rio e em São Paulo, empresários meio fracos de conduta têm registrado suas empresas em áreas perigosas, controladas pelo tráfico. O objetivo é impedir a entrega de notificações judiciais ou evitar a chegada de fiscais do Estado.

Samba, suor e cerveja

Então coube ao ministro das Comunicações a tarefa de oficializar a intenção da Oi e da Brasil Telecom de "uma recomposição societária".

Certamente a informação não foi tornada pública agora, às vésperas de Carnaval, sem motivo. O resquício de indignação política dos brasileiros desaparece por completo na folia. Ninguém estará nem aí para possíveis críticas.

Como dizia aquela marchinha, "ouro do bolso da gente não sai/somos da crise, se ela vier/bananas para quem quiser".

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

21

Há movimentação demais em torno da Vale e de Roger Agnelli nas últimas semanas. Aí tem. Eu não me surpreenderia se alguém dos fundos de pensão, controladores da mineradora, viesse a integrar a diretoria da empresa em breve.

Loteamento

Em dezembro, eu coloquei aqui uma notinha perguntando o que Jader Barbalho andava fazendo. A resposta veio hoje no site Amazonia.org:

"A estatal Eletronorte, com orçamento de aproximadamente R$ 5,5 bilhões, será provavelmente entregue pelo governo Lula ao grupo do dep. Jader Barbalho (PMDB-PA). Observadores da política energética estão preocupados pela indicação a presidente de um homem de confiança de Jader e tido como símbolo de corrupção em governos de diferentes cores políticas. Trata-se de Lívio Rodrigues de Assis, atual diretor do DETRAN no Pará.

Lívio Rodrigues de Assis teve um papel importante no governo federal na presidência de Itamar Franco, quando foi chamado pelo então ministro Eliseu Padilha a dirigir as concessões das operações rodoviárias. Em sua gestão explodiu o escândalo do então DNER - hoje DNIT- e teve de ser demitido pelo ministro, numa tentativa deste de ser poupado das denúncias. Mas conseguiu se manter em cargos públicos até hoje. De acordo com fontes do site amazonia, a operação já tem a chancela da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Jader há tempo reclamava por não ter recebido cargos de peso suficiente em troca do decisivo apoio para a governadora Ana Júlia (PT) nas eleições de 2006. Ele poderá ter acesso à Eletronorte graças ao fato que o sen. José Sarney (PMDP-AP), que tradicionalmente controla a estatal, receberá a holding do grupo elétrico, a Eletrobras, que tem orçamento de quase R$ 15 bilhões. O ex presidente já está deslocando sua antiga equipe da Eletronorte para a Eletrobras, incluindo o diretor financeiro Astrogildo Quental."

Pois é.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Pérolas

Sensacional a coleção de vídeos que Edson Sardinha, do Congresso em Foco, fez. Um estímulo à memória política e às risadas.

Entre os vários que estão lá: o resumo do primeiro debate entre os candidatos à presidência em 1989, a propaganda eleitoral de Silvio Santos, Maluf ensinando os políticos a "maquiar a realidade".

O meu preferido é o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fazendo um reboliço na Comissão de Constituição e Justiça ao dar uma de rapper.

Brincando de Deus

Vivemos tempos incríveis. Um time de 17 pesquisadores do Instituto Craig Venter sintetizou um genoma em laboratório. É o segundo passo, entre três, para criar uma forma de vida artificial.

Há uma matéria pequena na Folha (um absurdo, diante de tanta patacoada impressa em outras editorias!).

Aqueles que quiserem saber mais sobre o assunto podem dar uma lida no release do Instituto, em inglês, aqui.

Susto

Leio na Folha que "o PMDB está dividido quanto ao possível ingresso de Edison Lobão Filho (MA) no partido".

O PMDB dividido? Como assim?

Sinto-me estupefata.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Provedores

Reportagem de Elvira Lobato, na Folha, informa que os provedores temem que as teles dominem o mercado. É para temer mesmo. A figura do provedor, de acordo com o novo cenário, é absolutamente anacrônica. Olhem os balancetes.

Alguns provedores, como o IG (ligado à Brasil Telecom) e o Terra (da Telefônica) estão em situação um pouco mais confortável.

O UOL, do Grupo Folha, pertence também à Portugal Telecom, sócia dos espanhóis na Vivo. Garante posição apenas se os portugueses comprarem a metade da Telefônica na celular. Ou se fechar nova parceria.

Com a BrOi, por exemplo.

Melhor do Dia

Demétrio Magnoli, n'O Estadão e n'O Globo. Perfeito no conteúdo e na forma. Aí vão dois trechos:


"Como o Brasil não é a Nicarágua, a piñata de Lula depende da fabricação de um artefato ideológico nacionalista. Aristóteles dos Santos, sindicalista petista que ocupa o cargo de ouvidor da Anatel, divulgou um relatório "técnico" no qual aplaude a hipótese de instituição de uma grande empresa nacional de telecomunicações capaz de competir com os grupos internacionais do setor. Encarregado de zelar pelos interesses dos usuários e pelas regras de concessão, o ouvidor avaliza um negócio cuja legalidade depende da mudança nas regras destinadas a proteger a concorrência, que é um interesse público. Samuel Johnson (1709-1784) classificou o patriotismo como "o refúgio derradeiro dos canalhas". Enquanto evolui o bloco carnavalesco do álibi patriótico, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade entoam o Hino Nacional diante do altar dos juros subsidiados do BNDES."

"A novidade encontra-se na natureza orgânica do processo. A corrupção da nova elite precisa de um lastro doutrinário, que funciona como solda entre as camarilhas dirigentes e uma base nem sempre passiva de militantes e simpatizantes. O movimento não exclui lucrativas operações pessoais, nem está isento de fricções internas."

Eduardo Graeff, na Folha, também bateu.

Mas, pelo andar da carruagem, as críticas vieram tarde demais. Ontem à noite a AE Broadcast informou que tinha começado o descruzamento acionário na árvore societária da Oi (ex-Telemar). Não é preciso ser muito esperto para intuir que se trata de uma operação casada com a aquisição da Brasil Telecom.

Até aqui tudo previsível: mais gente no bonde das críticas e o negócio sendo arrematado de qualquer maneira.

É torcer para que as cláusulas de pesquisa e investimento sejam bem amarradas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tempos modernos 2

O marasmo na terrinha continua. Nos Estados Unidos, porém, ganham força as críticas sobre os danos ao jornalismo trazidos pelo corte indiscriminado de custos, a falta de investimentos e a aversão às notícias que demandem maior profundidade na apuração.

Desta vez foi James E. O’Shea, até há pouco editor do Los Angeles Times, uma das mais importantes publicações americanas.

Clique aqui para ler a matéria do New York Times, em inglês, sobre o assunto.

Há menos de um mês, as constatações negativas vieram de Paul Steiger, então diretor do Wall Street Journal (leia mais aqui).

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Boa sorte, Intelig!

Leio no blog do Renato Cruz que a participação da Intelig no mercado de telefonia só faz cair. Passou de 21% em 2003 para 1,89% em 2007. Está tísica, precisando de investimentos e de um plano estratégico.

A Intelig acaba de ser comprada pela empresa Docas Investimentos, de Nelson Tanure, o mesmo dono da Gazeta Mercantil e do JB.

Só tenho duas coisas a dizer. A primeira é que torço para que o estilo Tanure _ salários atrasados, pouco caso com algo que não seja o fluxo de caixa imediato e demissões em massa para compensar a má gestão _ tenha mudado. Ou que não seja estendido às teles.

A segunda é que só vejo um jeito de ganharem dinheiro no curto prazo com a Intelig: sonegar impostos, cuja incidência é pesada no setor. Justo agora que o governo precisa de uma forcinha na arrecadação...

Banco(s) de réus

Começou hoje em Milão o julgamento dos bancos internacionais envolvidos na quebra da Parmalat (Morgan Stanley, UBS, Deutsche, Citigroup e Bank of America). Nove executivos são acusados de agiotagem, segundo agências de notícias italianas.

Segundo os procuradores que acompanham o caso, "é a primeira vez que instituições financeiras que manipularam o mercado" serão julgadas na Itália.

Vale acompanhar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

MMX

O Valor Online informa que "a Anglo American pretende investir US$ 16 bilhões no Brasil nos próximos dez anos para que a produção de minério de ferro da empresa no país atinja 100 milhões de toneladas anuais".

A projeção é possível, imagino, por conta da compra da MMX.

Sei não, mas parece que no Carnaval de 2008 compensa mais ser Eike do que Luma. Vamos ver se tem coleira na jogada.

Nonsense

Quando a gente pensa que é impossível arranjarem mais uma maneira de administrar mal o dinheiro público, eis que o governo se supera. Da repórter Luciana Nunes Leal, n'O Estadão:

"Anunciado como grande novidade do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) passa por um período de ostracismo e questionamento de suas funções, mas não recua na luta por mais recursos. A proposta orçamentária do órgão para 2008 prevê R$ 2,6 milhões em gastos. Se for aprovado pelo Congresso, esse orçamento vai superar em R$ 1,1 milhão (73%) o do ano passado, que foi de R$ 1,5 milhão - R$ 1,2 milhão foi efetivamente gasto."

Não sei quanto a você, mas eu fiquei uma arara. Todo esse dinheiro para abastecer um Conselho cujas sugestões só são acatadas quando coincidentes com as idéias do próprio governo. A ampliação do Conselho Monetário Nacional, por exemplo. Os conselheiros falam sobre isso desde 2003. Ninguém dá a menor pelota. Está no texto d'o Estado, inclusive.

A secretária do CDES não concorda comigo. Ela explicou para O Estadão que o motivo para o incremento de caixa "é que o Brasil assumiu a presidência da Associação Internacional de Conselhos, que reúne grupos de aconselhamento de presidentes de 70 países".

Na minha avaliação, isso significa que não basta ser irrelevante em território nacional, é preciso ir além. Quanta megalomania, humpf.

"Com nove lugares vagos, o conselho tem hoje 81 representantes da sociedade: 10 mulheres e 71 homens. Em 2007, passou por sua maior mudança, com a renovação de cerca de 70% dos integrantes... Os conselheiros não recebem pagamento pela função, mas ganham passagens e diárias do governo para participar das reuniões de trabalho. Segundo Esther, alguns empresários dispensam a ajuda de custo e suas empresas arcam com esses gastos. No ano passado, o governo gastou R$ 614.570,45 com passagens, diárias e publicação de documentos. Entre os 81 conselheiros que não pertencem ao governo, 31 são representantes do empresariado e do setor financeiro e 16 são sindicalistas. Os demais integram ONGs, pastorais, grupos religiosos ou são professores, estudantes, profissionais liberais, intelectuais e políticos."

Êpa, êpa, êpa! Se o governo gastou R$ 614,6 mil no ano passado com a parte mais importante do Conselho, as reuniões dos Conselheiros, o que justifica um orçamento mais de quatro vezes acima desse valor para 2008?

Tem gato nessa tuba. Alguma coisa está errada com o Cabidão, digo, o Conselhão.

G00db0ys

Há alguns dias, o ombudsman da Folha reclamou da cobertura relativa ao processo judicial enfrentado pela Telecom Italia em seu país de origem. Pois bem. Aí vai uma dica que pode render boa matéria: a Procuradoria de Milão, que cuida do assunto, descobriu que a Telecom Italia escondeu contas suíças de altos dirigentes da empresa. As contas tinham sido encontradas pela Kroll.

Ah, você não está entendendo nada? Eu explico.

A Brasil Telecom (BrT, operadora das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul) é uma espécie de dama medieval. Desde que foi criada, em 1998, com o leilão da Telebrás, há um monte de gente brigando por ela. Seus quatro principais sócios na época em que essa história começou eram fundos de pensão ligados a estatais, Citigroup, Opportunity e Telecom Italia. A administração da BrT cabia aos fundos geridos pelo Opportunity .

No dia 20 de dezembro de 2002, a pedido da Brasil Telecom, a Kroll abriu um novo caso. A partir daquela data, a maior agência de investigação do mundo iria se ocupar em coletar provas de que uma das acionistas da operadora, a Telecom Italia, atuava contra os interesses da empresa brasileira. Era o início do chamado “projeto Tóquio”, uma saga policial onde a realidade é capaz de fazer qualquer roteirista de Hollywood verde de inveja.

Na Kroll, a investigação ficou a cargo de um certo Richard Bastin, embora por pouco tempo. Meses depois ele foi contratado pela própria Telecom Italia. A troca de empregos _ e, ao que tudo indica, a entrega de parte dos dados obtidos pela investigação _ desencadeou uma fortíssima reação dos italianos, a “operação K”.

Por conta delas, hackers que trabalhavam na área de segurança da Telecom Italia invadiram computadores da Kroll e roubaram as informações que ainda não tinham. Depois as gravaram em um CD, entregue à Polícia Federal brasileira como se tivesse sido obtido de forma anônima.

(A PF brasileira já estava investigando a Kroll, por conta do caso Parmalat. Juntou tudo e prendeu meio mundo em julho de 2004. O furdunço ganhou ampla cobertura da mídia e tornou-se conhecido como "caso Kroll". Ainda rola na Justiça daqui.)

Acontece que esses hackers, cujos nomes de guerra são um show à parte, como “Sombra Divina” e “G00db0y”, participavam de um esquema de coleta e venda ilegal de informações, um mercado negro do grampo telefônico e eletrônico descoberto em 2006 pelos procuradores de Milão.

Ao longo do tempo, por conta dessa investigação e de outras, a Justiça italiana encontrou indícios da existência de uma rede que maquinava falências fraudulentas no Brasil. Essa rede abarcaria pessoas ligadas à Telecom Italia e sua fornecedora Tecnosistemi, além da Parmalat e da Cirio (Bombril).

A Kroll, muito antes dos procuradores italianos, tinha levantado dados sobre as triangulações. E, de quebra, descobriu contas bancárias na Suíça de dois importantes executivos da Telecom Italia. Por lá teria passado dinheiro da venda da operadora brasileira CRT.

Ambos, aliás, continuam trabalhando na operadora italiana. Um deles, segundo o depoimento de uma testemunha, negou a existência da conta.

Depois de entregar o CD manipulado à PF brasileira, os italianos tentaram fazer algo semelhante com a polícia italiana, “os carabinieri”. Lá o golpe não deu certo.

Outra coisa interessante que os procuradores de Milão descobriram é que a decisão de sumir com as informações contou com o aval, entre outros, de um executivo da Telecom Italia chamado Adamo Bove. Pena que não podem perguntar nada para ele: o rapaz suicidou-se em circunstâncias estranhíssimas quando estava começando a colaborar com o Ministério Público, passando outras informações para os procuradores. A família do morto não acredita que ele se jogou do viaduto.

Claro que alguns vão dizer (como parece que já fizeram com o ombudsman da Folha): “essas informações são todas falsas”. Ah, é? Peguem o documento onde a Procuradoria de Milão explica os motivos pelos quais mandou prender Angelo Jannone, ex-chefe da Segurança para a América Latina da Telecom Italia. Há vários depoimentos dizendo a mesma coisa.

"Imagina, isso é chute". Se quiserem saber a opinião dos homens da Lei de Milão, procurem na página 261, rá.

Claro que quem tiver paciência de ler tudo vai encontrar muito, muito mais. O pessoal de lá e a turma com quem eles se metiam eram “tutti buona genti”, "g00db0ys".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tangled Up in Brazil

Está para chegar às prateleiras o livro “O Brasil dos Correspondentes”, histórias dos bastidores do poder e da cultura contadas por jornalistas estrangeiros que atuam por aqui.

Enquanto a versão em português não vem, é possível sentir o gostinho. Há um texto em inglês escrito por Bill Hinchberger, onde aparece todo mundo: Lula, FHC, Delfim, Jorge Amado, Niemeyer, Roberto Marinho, ACM, Palocci...

Um trecho onde ele fala sobre corrupção: "quando o futebol for saneado, o resto virá naturalmente. A questão 'quem matou Celso Daniel?' parecerá de repente mais interessante que 'quem matou Taís?'.

Quem quiser ler mais pode clicar aqui.

Fila

Vejo no Radar, de Lauro Jardim, que "Eugênio Staub esteve ontem com Lula. Mas desmente que tenha ido pedir ajuda para a Gradiente, que vive a pior crise de sua história".

Sei não. Acho que começou o movimento dos "também quero".

Chamem o...

Claro que você, inteligente que é, percebeu: tem gente no vão da escada fazendo confusão e tentando jogar água fria na compra da Brasil Telecom pela Oi sem bater de frente com o governo.

Nada contra falarem mal da operação, muito pelo contrário. Ela está sendo tramada sem o respaldo da lei e na medida para favorecer financiadores de campanha. O problema é a forma escolhida para brigar. Subreptícia, furtiva, dissimulada. Um engulho.

Explico-me. O governo rachou. O Planalto quer a venda nos moldes acordados com Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, mas os fundos não. Como, porém, a cúpula das fundações é de gente indicada pelo próprio governo, bater de frente significaria perder o cargo. E isso, meu amigo, nenhum deles está disposto a fazer.

Muito melhor usar a imprensa amiga para mandar recados e influenciar a opinião pública, mesmo que isso signifique colocar a lógica no torno. O máximo que se pode chegar nos beliscos é esculhambar o Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Como se ele tivesse autonomia para decidir sobre um aporte de bilhões e bilhões, rá! Faz-me rir.

E a eleição, súbita e unânime, de Carlos Jereissati e de Sérgio Andrade como os belzebus da ocasião, os juruparis recém-descobertos? Durante anos eles foram apontados pelos dirigentes das fundações como sócios ideais na Oi, tanto que as fundações nem pediam que botassem a mão no bolso para engordar os próprios investimentos. Mais: as entidades de previdência se afastaram do comando da Oi. Deixaram para Jereissati e Andrade a tarefa de tocá-la.

Desde o leilão da Telebrás, os fundos, em especial a Previ, fecharam com Jereissati. Deviam achar que, ao final da guerra contra Daniel Dantas, compartilhariam com ele a megatele. Tsk, tsk, tsk. Não contavam com a astúcia do próprio presidente da República, que sabe do potencial fratricida dos sindicalistas e tem ótimas relações com Andrade.

Também não deviam contar que Jereissati virasse as costas para os amigos. Como você sabe, os administradores da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, são ligados à ala do PT sindical, que anda sob a canga do Sindicato dos Bancários de São Paulo. É uma facção poderosa, com grande ascendência sobre o partido. Mas não tão poderosa quanto Lula.

Aí é que eu fico louca da vida: por que não vêm a público falar que não obedecerão ordem tão esdrúxula do Planalto? Por que ficam dizendo que a operação renderá mais que pulverizar as ações?

Ok, suponhamos que seja assim. O mercado despencou nos últimos dias e blábláblá. Por que não fazem um leilão público, então? Por que não escutam o lance de outros possíveis compradores? Se o negócio é tão bom, certamente eles existem. Por que a lei não é mudada ANTES de um compromisso de venda assinado?

A explicação só pode ser uma. Se não é pra ficar nas nossas mãos, as mãos sindicais, melhor não irritar a chefia. E melhor que não fique explícita a intenção de sabotagem.

É simples resolver. Lançam mais essa fatura na conta do Opportunity, que foi transformado em uma espécie de ímã para problemas. Começam a criar empecilhos para a negociação, fazendo propostas que Dantas não vai aceitar. Travam tudo, mas sem ônus. Não discutem à toa, não reclamam.

E o Dantas, Janaína? Ah, esse é um caso à parte. Poderia aproveitar e brigar, mas não vai. Durante anos ele disse que o governo queria favorecer Jereissati e Andrade. Agora faz de conta que nada aconteceu, pois vai ganhar um dinheirão e colocar fim às contendas judiciais, que ocupam 90% do tempo do banqueiro atualmente. É o pragmatismo elevado à enésima. Uma decepção.

Quer saber, presidente? Chame o Ricardo Sérgio. Ele, sim, é eficiente de verdade. Já resolveu as coisas para Jereissati e Andrade uma vez, há dez anos. Garanto que o faria de novo. Se bem que, daquela vez, os fundos estavam no balaio...

Os Presentes

Ouça que música linda. A intérprete se chama Eliana Printes. Enquanto você escuta, eu escrevo um novo post.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Análise rápida

Alguém aí ouviu falar de uma hipótese sobre os meios de comunicação chamada "espiral do silêncio"? Ela é relativamente simples. Indivíduos que têm opiniões contrárias às da maioria tendem a se manter em silêncio, por absoluto pavor do julgamento alheio.

Pois muito bem. Os editoriais e colunas publicados hoje funcionarão como sinal verde para muita gente que queria, mas não tinha coragem, de criticar a compra da Brasil Telecom pela Oi. Acredito que, a partir de agora, a coisa vai ganhar ares de cruzada, principalmente na internet.

Sinto dizer que, na minha opinião, de pouco adiantará. O problema é outra tese, bem mais prosaica, mas de acerto inconteste: as pessoas enjoam de ver e ouvir o mesmo assunto ser martelado pela mídia; passam a ignorar o noticiário, por mais que o assunto seja importante. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o mensalão e o buraco do metrô em São Paulo.

Toda a indignação será gasta antecipadamente com essa onda de "assinou-não-assinou-estão-assinando-a-droga-do-contrato". Restará pouquíssima audiência com disposição de permanecer atenta ao escândalo de hoje daqui a alguns meses, quando a "Lei Telezoca" sair do forno do Planalto. "O Brasil é isso aí mesmo", dirão. "Não adianta reclamar."

Claro que, à ocasião, os acertos no Congresso também terão sido equacionados. O barco da BrOi _ que já nasce um troll entre os anunciantes _ acabará empurrado pela brisa, em plena bonança.

Há que se dar a mão a palmatória. Esses caras são muito, muito bons no que fazem: manipular opinião pública, governo, parlamentares e o que mais surgir pela frente.

Underworld

Lobão ficou machucado, mas sagrou-se vencedor. Até agora.

Se o quase-ministro for esperto, colocará os pêlos de molho _ o PT não vai desistir tão fácil. E é difícil manter família, amigos e passado em quarentena.

Esse filme, meus amigos, terá parte dois. Podem apostar.